Enquanto houverem estrelas
W.Faria
Hoje o céu acordou mais cedo,
Clamou o nome dos amantes,
Neblinas turvas e conselhos dos ventos
Assopram-me os ares "vem"
E eu vou.
Hoje a lua tem um tom avermelhado,
Repare o cobre acentuado,
E brilha como se não pudesse mais brilhar
As aves que se arriscam pela madrugada
Logo se amedrontam e voltam ao lar,
Essas aves me chamam "vem"
E eu vou.
Dentro de meus pastos interiores
Existem ninhos e flores,
Existem cascatas e dores
Geladas corredeiras de neve
Que é para onde viajo quando meu peito se atreve,
Atrevo-me a reconhecer meu interior cada dia mais,
Chamo-me "vem"
E eu vou.
Vou, pois sei que ainda existe um lugar
Sei que posso encontrar em mim um berço,
Um terço para rezar, um abrigo para voltar,
Vou, pois sei que os sonhos são gestos de ternura,
Devaneios de loucura e quando pinto meus céus,
Meus véus, minhas paisagens, nunca me esqueço
que um dia tudo isso será apenas uma imagem,
Mas vou, enquanto houverem estrelas a descobrir,
Quero vagar por um céu que ainda não conheci.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
quinta-feira, 5 de junho de 2014
A complexidade das pessoas esta diretamente ligada ao sendo analítico que possuem, é através dele que estas mesmas pessoas transformam seu raciocínio calcado em lógica em novos sentimentos, entendendo sentimentos como a elipse que compreende dores e prazeres, sorrisos e raivas, todo esse pacote de emoções se chama sentimento e com ele não se pode brincar, afinal, aquilo que sentimos esta sempre certo, acredite no que sente. Os olhos humanos são incapazes de detectar inúmeras coisas, porém, a mente sempre reage conforme o estimulo, mesmo que seja invisível aos olhos portanto, acredite no que sente, bom ou mau é verdadeiro, acostume-se.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
A boodega de Zé capenga
A boodega de Zé
capenga
W.Faria
“Quarta feira enluarada,
Não é hora de resolver pendenga”
Era assim que a moçada
Tentava acabar com a briga,
Que com força se aprumava,
Se pegava em estrovenga,
Revolver e pontapé,
De garrafão ali cantava,
Tamborete e até viga.
O que acontece foi que Tião
Irmão de Zé capenga
Tomou um pifão arretado,
Babou no grandalhão
Que era irmão do delegado
E não é que o grandalhão
Pra piorar o recado
Revelou a novidade,
O coitado não era gago!?
Pois Tião, meio aluado,
Pediu desculpa e se foi,
O gago grandão desletrado
Foi logo sacando a arma
Que ele trazia com ele,
Presenteada pelo irmão
Lustrada com cera de abelha
Com coronha de cor limão,
Eta armazinha mais tronxa.
Tião já longe trupicava,
Dada empurrão em freira,
Xingava cachorro na feira,
Tombava pra todo lado,
Até que ouviu um sujeito
Que falava engraçado
E o sujeito dizia
Com um olhar meio assustado:
“ômi, oce CE CE CE...”
- Ceará!?!? Tião perguntou de pileque
“que que que ceará o que que “
Mas eita cabra da gota,
Ta me achando que sou três?
De certo fala comigo e repete mais duas vez,
Quem sabe ta mau das vista,
Ou até vendo fantasma,
Eu não vou nem retrucar,
Vai que o pobre sofre de asma.
E o grande babado nas venta
Retrucava com o revolver na mão tremelicando,
“eu vo vo vo te mata ta ta ta”
E Tião abilolado que só,
Retrucou com o gago matuto
“ Seu moço, veja só,
Não to entendendo é nada
Será que me chama de vô?
Por falta de sua família?
Venha cá, te dou um abraço,
não há um verso que diz
que todo mundo é uma ilha?”
Ouvindo as palavras doces
De Tião Ferreira da Cruz,
O matuto gaguejou,
Que chegava a lagramiar,
Virou as costas e se foi,
Deixando o assunto pra lá.
Tião, com cara de sabido,
E cachaça nas ventoinhas
Pensou com seus miolos,
- Que sina estranha essa minha,
Cuidando do porre dos outros
E da saudade da família
Sorte que sou mais esperto
Que nem um galo de rinha,
Escapo de qualquer desavença
Mesmo babando nos outros,
Trupicando em freira e frei,
E aliás pelo que sei,
Não gosto é de violência,
E quarta-feira enluarada,
Não é hora resolver pendenga.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
Romance para Violino
Romance para Violino.
Khristopher W.F.
Ela mora perto de um jardim, tão perto que às vezes acho que
ela mora dentro deste jardim. Sempre vou até sua casa, sempre a tardinha,
quando o sabiá já parou de cantar mas as vezes noto um ou dois colibris
pertinho da sua casa, sempre tem alguém sorrindo por ali. Passo por três ruas
antes de chegar até lá, cumprimento um ou dois moradores e entro em uma outra
rua que tem um beco, gosto de becos. A travessia que dá acesso à sua casa é
perigosa e sempre atravesso bem atento, tem sempre máquinas na pista ou homens
em obras, os cumprimento também.
Quando chego perto posso ouvir o latido de alguns cachorros
que moram por ali, são de uma senhorinha bem senhorinha que espia pela janela
sempre que estou por perto, me sinto um artista. O sol logo vai embora e a cena
muda consideravelmente, se torna rapidamente avermelhada, assim como ficam
minhas bochechas quando sei que ela esta descendo as escadas, ela sempre as
desce uns vinte ou trinta minutos depois do horário combinado, acho um charme.
Ela chega com uma cara de que nada aconteceu e no fundo se
crucifica pelo atraso, eu não ligo, juro que não ligo, considero uma verdade
inegável o fato de que algumas pessoas podem se dar ao luxo de chegarem atrasadas,
como a noiva no altar e...bom, na verdade acho que só a noiva pode chegar
atrasada e ainda assim ser elegante, a noiva e ela, que chega sempre como um
passarinho, suave, com aquele sorriso embebido em batom.
Romance para Violino
nº 2 fica sendo repetindo em looping em minha mente enquanto tento entender
como é que um ser pode ser tão lindo e ainda assim estar vivo, lembro-me de ter
visto musas em quadros tão antigos que quando eu nasci os pintores já não
estavam mais vivos. O fato é que escuto a musica e ainda assim posso ouvir tudo
que ela diz, na verdade ouço aquilo que ela diz, o que as velhinhas sussurram
nas janelas, ouço os cachorros a latir, o gato a miar e até as asas da coruja
buraqueira que um dia assistimos voar e pousar em galhos secos de uma árvore que
nasceu em um barranco amarelado pertinho de um rio. Sempre caminhamos juntos pela
madrugada e caminhar pela madrugada nunca me pareceu tão elegante, de um perigo
tão adocicado que não dá medo de correr.
Ela tem cabelos de noite e um olhar da cor do sol, consegue
guardar dois ambientes completamente diferentes dentro de si. Quando ela sorri,
eu também sorrio, primeiro porque adoro o som de sua gargalhada e depois não
sei explicar porque, talvez eu queira sorrir por não acreditar no que acontece.
Ela mora perto de um jardim, tão perto que ainda não sei se
ela mora dentro ou fora dele e na verdade não faz diferença porque enquanto eu
viver vou querer criar jardins em todos os lugares pelos quais passarmos. As
flores terão inveja, assim como muitas pessoas, mas é fácil compreender o
motivo, ela é um novo continente, tanto que às vezes me sinto Colombo, até nas
roupas me pareço com ele, menos na soberba e pedantismo, tenho pra mim que
Colombo era um pau mandado e eu não sou, só vou onde quero ir e na verdade só
vou ao encontro daquilo que me desperta interesse ou vontade, como o canto dos
passarinhos, as flores novas na primeira semana da primavera, isso tudo me
desperta interesse e ela, ela me desperta mais que isso, ela me desperta
poesia.
domingo, 20 de abril de 2014
Despedida
Despedida.
W.Faria
Que todas as manhãs da sua vida se tornem as últimas horas de sua existência,
para que possa fazer tudo que faria normalmente com a força de quem luta para deixar sua marca.
Que todas as suas horas de lazer sejam compartilhadas com alguém, para que possa emprestar seus sorrisos para aqueles que não mais sabem o que é felicidade.
Que todas as estradas pelas quais percorrer sejam feitas de tropeços e que estes tropeços lhe ensinem a olhar para os dois lados quando caminhar.
Que todos os seus sonhos terminem antes do despertador tocar, para que a modernidade não fique entre você e seus pensamentos.
Que seus banhos sejam mais de luz do que de água.
Que você cure seus medos com abraços apertados, para que perceba que não existe temor maior do que permanecer sem abraços.
Que as musicas te elevem a alma e que você saiba para que serve a alma.
Que seus sorrisos sejam novos a cada manhã, para que seja você a iluminar o sol e não o contrário.
Que voce plante flores.
Que ouça os pássaros, que ame os pássaros.
Que veja cascatas e cachoeiras, para que entenda que as águas sempre se renovam, mesmo que não encontrem o mar.
Que voce veja o mar e saiba como é estar na beira do mundo.
Que você cuide do mundo, para que os próximos a morar nele sejam tão felizes quanto você foi.
Que você leia poesia, que escreva poesias, para que entenda que não são as palavras que tornam a vida bela e sim as atitudes.
Que você tenha atitudes, para que entenda que quando se quer mudar alguma coisa é preciso se mover.
Que você dance como quiser dançar.
Que respeite os outros para que entenda que a única lição de toda e qualquer religião é não fazer com os outros aquilo que não quer que façam com você.
Que você veja as estrelas, que você ame as estrelas, para que saiba o quão pequenos somos e mesmo pequenos guardamos um universo dentro de nós.
Que ame sua família e que entenda que a família é a balsa para onde voltamos quando o mar bravio nos tenta engolir.
Que você experimente de tudo para que saiba o que gostar e o que não gostar,
Que goste de mim, assim como eu gosto de você,
Que eu possa representar para você aquilo que você já representa para mim,
Que você possa enxergar em mim um exemplo de tudo aquilo que não se deve ser ou fazer
porque eu fiz errado, eu caminhei errado, eu escolhi errado, eu troquei as pessoas certas por pessoas que não estavam no caminho certo.
Eu abandonei projetos, planos e lugares, mas que saiba que mesmo tendo errado tanto eu nunca abandonei meus sonhos, nunca.
Que você tenha sonhos, por mais estranhos que possam parecer para algumas pessoas,
acredite neles, pois eu acredito neles, assim como acredito em você, mesmo sem te conhecer,
Conheça muitas pessoas e saiba que todos foram criados para serem bons,
E não é porque algumas pessoas tomam caminhos diferentes dos seus que devem ser considerados ruins, seja bom.
Que ame os animais, para que entenda que existem muitas formas de vida diferentes ao seu redor, que olhe ao redor.
Que corra, corra muito, corra em meio a flores, a rosas, margaridas e jasmins,
Para que saiba a textura das cores.
Que ame ao máximo aqueles que estão perto de você e ame mais ainda quem está longe.
Que goste da chuva, do sol e da manhã e que todas as manhãs da sua vida se tornem as últimas horas de sua existência, para que possa fazer tudo que faria normalmente com a força de quem luta para deixar sua marca.
W.Faria
segunda-feira, 31 de março de 2014
Uma valsa a para ela
Uma valsa a para ela.
W.Faria
A vida repõe os trechos que as dores apagaram,
Refaz as pontes entre penhascos que desabaram,
Dos gritos de dor intensa até as lascívias horrendas,
Dos calos brotaram as flores e cores de mil amores,
Em uma valsa paralela, tilintam os tons de aquarela,
Teu riso seguro no ar, teus ares aos quais respirar,
E a vida rangendo seu dorso no leito que ninguém mais vê,
Entre os dias e noites, lembranças,
E eu gargalhando você.
W.Faria
A vida repõe os trechos que as dores apagaram,
Refaz as pontes entre penhascos que desabaram,
Dos gritos de dor intensa até as lascívias horrendas,
Dos calos brotaram as flores e cores de mil amores,
Em uma valsa paralela, tilintam os tons de aquarela,
Teu riso seguro no ar, teus ares aos quais respirar,
E a vida rangendo seu dorso no leito que ninguém mais vê,
Entre os dias e noites, lembranças,
E eu gargalhando você.
Aos meninos sinaleiros. (Aos meninos do semáforo)
Aos meninos sinaleiros. (Aos meninos do semáforo)
W.Faria
Chiclete, drops de hortelã,
Gripe, dores e febre afã.
Abaixa o vidro e mira a fronte,
Vomitam notas e moedas,
Como se atirassem sonhos à fonte.
Malabaristas e pirófagos
Órfãos da cidade,
Devorados por políticos antropófagos,
Um real para quem não é visto com real,
"Três vezes negarás o meu nome"
Disse o homem, disse o homem.
Tira este moleque do sinal
E faz de um politico corrupto seu mais indecente marginal.
Rasga este livro de lei e abra um de alfabetização.
Queime este terno e gravata
E coloque teu pé no chão,
Cospe sua palavra bela e embeleza-te a alma,
Não concorde com os sorrisos
De quem não conhece a palavra 'calma'.
W.Faria
Chiclete, drops de hortelã,
Gripe, dores e febre afã.
Abaixa o vidro e mira a fronte,
Vomitam notas e moedas,
Como se atirassem sonhos à fonte.
Malabaristas e pirófagos
Órfãos da cidade,
Devorados por políticos antropófagos,
Um real para quem não é visto com real,
"Três vezes negarás o meu nome"
Disse o homem, disse o homem.
Tira este moleque do sinal
E faz de um politico corrupto seu mais indecente marginal.
Rasga este livro de lei e abra um de alfabetização.
Queime este terno e gravata
E coloque teu pé no chão,
Cospe sua palavra bela e embeleza-te a alma,
Não concorde com os sorrisos
De quem não conhece a palavra 'calma'.
domingo, 30 de março de 2014
C'est la vie
C'est la vie
Khristopher
Não tenho a capacidade que muitos tem de entender coisas simples como uma piada irônica, acredito que isso se dê pelo fato de que não creio que alguém irá responder um questionamento sério com uma anedota, acredito também que conseguir encaixar uma piada em um bom momento e fazer dela a ponte entre assuntos aos quais se quer chegar é um dado de genialidade e confesso que não conheço muitos gênios, um ou outro intelectualóide ou cinefilos que repetem cenas corriqueiras de filmes com um roteiro de péssima qualidade.
Não tenho a pretensão de me encaixar em um segmento ou defender uma causa, aliás defendo a minha causa e sempre defenderei, se esta causa apóia a sua, ótimo, se não apóia não é por isso que deva me considerar uma pessoa pior que você, isso se chama etnocentrismo e esta atitude tem seus danos e ganhos.
Como disse, alguns cortes arrancam partes importantes de nós e em raros momentos, ocasiões quase impossíveis de acontecer, acontece uma fagulha que desperta todo o senso de atenção peculiar ao cérebro humano ou animal, neste momento você terá duas escolhas, ou entende quais as mensagens desta fagulha ou faz de tudo para deixá-la se esvair lentamente.
No meu caso a compreensão é natural e com uma ou duas linhas dedutivas posso perceber uma real modificação em crenças e uma considerável gana por recriar palácios de memória nos quais eu volto a depositar sentidos já perdidos pelo percurso. Esse fato fascinante não faz com que eu queira dizer que volto a ter uma considerável vontade de pertencer ao meio social, ou de ter a fé de que o outro é tão capaz quanto diz ser, bom quanto diz ser, dotado de inteligência quanto diz ser, esse fascinante fato revela apenas que dentre os milhões e milhões de seres que habitam o meio ambiente do qual todos nós fazemos parte existe um, apenas um, que chamou minha atenção e faz com que releve o contexto irrelevante que passou a se tornar a racionalidade.
Não tenho a pretensão de me encaixar em um segmento ou defender uma causa, aliás defendo a minha causa e sempre defenderei, se esta causa apóia a sua, ótimo, se não apóia não é por isso que deva me considerar uma pessoa pior que você, isso se chama etnocentrismo e esta atitude tem seus danos e ganhos.
Como disse, alguns cortes arrancam partes importantes de nós e em raros momentos, ocasiões quase impossíveis de acontecer, acontece uma fagulha que desperta todo o senso de atenção peculiar ao cérebro humano ou animal, neste momento você terá duas escolhas, ou entende quais as mensagens desta fagulha ou faz de tudo para deixá-la se esvair lentamente.
No meu caso a compreensão é natural e com uma ou duas linhas dedutivas posso perceber uma real modificação em crenças e uma considerável gana por recriar palácios de memória nos quais eu volto a depositar sentidos já perdidos pelo percurso. Esse fato fascinante não faz com que eu queira dizer que volto a ter uma considerável vontade de pertencer ao meio social, ou de ter a fé de que o outro é tão capaz quanto diz ser, bom quanto diz ser, dotado de inteligência quanto diz ser, esse fascinante fato revela apenas que dentre os milhões e milhões de seres que habitam o meio ambiente do qual todos nós fazemos parte existe um, apenas um, que chamou minha atenção e faz com que releve o contexto irrelevante que passou a se tornar a racionalidade.
"Habria sido maravilloso conocernos antes, habernos casado, tenido hijos.."
C'est la vie
quinta-feira, 27 de março de 2014
Natural Mente
Natural Mente
W.Faria
Sou meu próprio profeta,
minha flecha de alerta,
não tenho cavalo branco,
não caminho em linha reta,.
Tenho minha própria tábua da lei,
Não queimo bruxas ou nomeio algum rei,
Sou eu meu próprio adversário,
Meu Dia de Reis, Páscoa, Aniversário,
Sou eu quem me enforco aos poucos,
Sou minhas prisões, rugidos roucos,
cemitérios e berçários.
não lhe peço oratório,
nem canto e nem velório
sou eu quem escolhe o pranto
Minha mente, meu purgatório.
W.Faria
Sou meu próprio profeta,
minha flecha de alerta,
não tenho cavalo branco,
não caminho em linha reta,.
Tenho minha própria tábua da lei,
Não queimo bruxas ou nomeio algum rei,
Sou eu meu próprio adversário,
Meu Dia de Reis, Páscoa, Aniversário,
Sou eu quem me enforco aos poucos,
Sou minhas prisões, rugidos roucos,
cemitérios e berçários.
não lhe peço oratório,
nem canto e nem velório
sou eu quem escolhe o pranto
Minha mente, meu purgatório.
terça-feira, 25 de março de 2014
A quantidade é relativa.
A quantidade é relativa.
W.Faria (Khristopher)
Quanto mais melhor, correto?
Errado, esse ditado de que a quantidade define o benefício é um dos grandes mitos da modernidade, se é que podemos chamar de modernidade um país com o terceiro maior índice de mortalidade infantil na América do Sul, 8° país com maior número de analfabetos adultos, segundo a Unesco e o segundo maior índice de analfabetismo da América Latina. Imaginar como os iluministas devem estar felizes neste instante com dados tão alarmantes é fascinante. Essa é nossa modernidade e com ela a quantidade não é qualidade e sim um acúmulo de numerais que parecem apontar na direção contrária de toda e qualquer benéfice nacional.
Quanto mais analfabetismo melhor? quanto mais mortes infantis melhor? se você julga que a resposta para essas questões está calcado na afirmação é hora de orar por sua comunicação neuronal e não precisa ser para deus, que vem sido visto como um egocêntrico, sádico e com problemas de baixa auto-estima, pedindo a todo momento que o adorem, segundo alguns religiosos, "Deus só quer que você o ame", é como se ele dissesse o tempo todo: "Vamos, me amem, me amem, me amem" ora já basta, quem ama não o faz por insistência, afinal quem nunca disse para seu parceiro ou parceira - Preciso de espaço! se você me pedir para te amar ai é que eu vou travar, tem q ser espontâneo. Então, com a fé tem que ser a mesma coisa, mas retomo agora o processo inicial deste texto.
Você seria capaz de dizer qual foi a vez que a quantidade determinou a qualidade de algo? antes que você diga perceba que quase todos pensarão no dinheiro, como quem diz "quanto mais dinheiro eu tiver mais feliz serei" logo meu companheiro, se você possuir este mesmo pensamento é hora de trocar o processo de comunicação neuronal por semi-vegetação seguida de eutanásia de sonhos e planos.
Perceba que quanto mais passos você dá mais próximo fica do final do caminho e, com isso, com muito mais dores nas pernas, logo o processo de busca pela sua felicidade envolve dores, perdas e lágrimas. A partir deste principio de imagem pode-se dizer que a quantidade é relativa, correto? errado novamente, a quantidade é relativa em qualquer circunstância e não uma hora ou outra, a velha história do copo que está vazio mas cheio de ar, o copo que está cheio mas vazio de espaço.
Saiba que somos nós é quem deixamos algo ser bom ou ruim, somos nós os responsáveis pelas nossas lágrimas e sorrisos, somos nós os mais propícios a loucura todos os dias, somos nós quem agimos como estúpidos ao vermos alguém ser estúpidos e não agirmos.
Lembre-se sempre que de longe todo formigueiro parece um monte de terra, nada é unilateral e neste caso multilateral, não existe verdade, existem verdades, partes de uma mesma verdade que é contada por cada um de uma forma peculiar.
E pergunte ao seu eu interior, se até a quantidade, oriunda de uma lógica irrefutável de que toda quantidade é lógica e inegavelmente sinal de qualidade será que tudo é relativo ou não? a resposta é simples, "é relativo" afinal nem a verdade é absoluta, nada é absoluta, nem a Vodka Absolut é absolutamente álcool.
A única verdade que não se pode negar é que o Brasil, com o seu Governo Federal e seu genial, pero no mucho, slogan "Brasil, Pais Rico é País Sem Pobreza" está deveras negando os dados preocupantes nos quais estão inseridos nosso povão sorridente, mas se pensarmos bem até mesmo o poder do Governo Federal é relativo, ou deveria ser, deveria ser Poder Relativamente Federal, visto que os três poderes não são tão eficazes quanto dizem ser, basta estar atento aos índices e dados processuais e suas relevâncias como mostram as manchetes "Garoto rouba bala e é morto por policiais" e em contraponto "Politico ladrão é reeleito em cidade grande". Em alguns casos os três poderes da união deveriam se unir em um só, o poder da Inércia, esse sim funcionaria perfeitamente, aliás, vai saber se até nesse não haveria corrupção.
Esse é o nosso país, onde os traseiros não ficam para trás e é o futuro, que naturalmente ficaria para frente, acaba ficando para o passado. Esse é o país do futebol, que não é o país do futebol, levando em consideração que o esporte surgiu na Inglaterra, segundo antigas pesquisas e a reportagem da revista Superinteressante de novembro de 2009.
Enfim, muita paz à todos, ou não, afinal até a paz é relativa mas nunca irrelevante.
W.Faria (Khristopher)
Quanto mais melhor, correto?
Errado, esse ditado de que a quantidade define o benefício é um dos grandes mitos da modernidade, se é que podemos chamar de modernidade um país com o terceiro maior índice de mortalidade infantil na América do Sul, 8° país com maior número de analfabetos adultos, segundo a Unesco e o segundo maior índice de analfabetismo da América Latina. Imaginar como os iluministas devem estar felizes neste instante com dados tão alarmantes é fascinante. Essa é nossa modernidade e com ela a quantidade não é qualidade e sim um acúmulo de numerais que parecem apontar na direção contrária de toda e qualquer benéfice nacional.
Quanto mais analfabetismo melhor? quanto mais mortes infantis melhor? se você julga que a resposta para essas questões está calcado na afirmação é hora de orar por sua comunicação neuronal e não precisa ser para deus, que vem sido visto como um egocêntrico, sádico e com problemas de baixa auto-estima, pedindo a todo momento que o adorem, segundo alguns religiosos, "Deus só quer que você o ame", é como se ele dissesse o tempo todo: "Vamos, me amem, me amem, me amem" ora já basta, quem ama não o faz por insistência, afinal quem nunca disse para seu parceiro ou parceira - Preciso de espaço! se você me pedir para te amar ai é que eu vou travar, tem q ser espontâneo. Então, com a fé tem que ser a mesma coisa, mas retomo agora o processo inicial deste texto.
Você seria capaz de dizer qual foi a vez que a quantidade determinou a qualidade de algo? antes que você diga perceba que quase todos pensarão no dinheiro, como quem diz "quanto mais dinheiro eu tiver mais feliz serei" logo meu companheiro, se você possuir este mesmo pensamento é hora de trocar o processo de comunicação neuronal por semi-vegetação seguida de eutanásia de sonhos e planos.
Perceba que quanto mais passos você dá mais próximo fica do final do caminho e, com isso, com muito mais dores nas pernas, logo o processo de busca pela sua felicidade envolve dores, perdas e lágrimas. A partir deste principio de imagem pode-se dizer que a quantidade é relativa, correto? errado novamente, a quantidade é relativa em qualquer circunstância e não uma hora ou outra, a velha história do copo que está vazio mas cheio de ar, o copo que está cheio mas vazio de espaço.
Saiba que somos nós é quem deixamos algo ser bom ou ruim, somos nós os responsáveis pelas nossas lágrimas e sorrisos, somos nós os mais propícios a loucura todos os dias, somos nós quem agimos como estúpidos ao vermos alguém ser estúpidos e não agirmos.
Lembre-se sempre que de longe todo formigueiro parece um monte de terra, nada é unilateral e neste caso multilateral, não existe verdade, existem verdades, partes de uma mesma verdade que é contada por cada um de uma forma peculiar.
E pergunte ao seu eu interior, se até a quantidade, oriunda de uma lógica irrefutável de que toda quantidade é lógica e inegavelmente sinal de qualidade será que tudo é relativo ou não? a resposta é simples, "é relativo" afinal nem a verdade é absoluta, nada é absoluta, nem a Vodka Absolut é absolutamente álcool.
A única verdade que não se pode negar é que o Brasil, com o seu Governo Federal e seu genial, pero no mucho, slogan "Brasil, Pais Rico é País Sem Pobreza" está deveras negando os dados preocupantes nos quais estão inseridos nosso povão sorridente, mas se pensarmos bem até mesmo o poder do Governo Federal é relativo, ou deveria ser, deveria ser Poder Relativamente Federal, visto que os três poderes não são tão eficazes quanto dizem ser, basta estar atento aos índices e dados processuais e suas relevâncias como mostram as manchetes "Garoto rouba bala e é morto por policiais" e em contraponto "Politico ladrão é reeleito em cidade grande". Em alguns casos os três poderes da união deveriam se unir em um só, o poder da Inércia, esse sim funcionaria perfeitamente, aliás, vai saber se até nesse não haveria corrupção.
Esse é o nosso país, onde os traseiros não ficam para trás e é o futuro, que naturalmente ficaria para frente, acaba ficando para o passado. Esse é o país do futebol, que não é o país do futebol, levando em consideração que o esporte surgiu na Inglaterra, segundo antigas pesquisas e a reportagem da revista Superinteressante de novembro de 2009.
Enfim, muita paz à todos, ou não, afinal até a paz é relativa mas nunca irrelevante.
domingo, 23 de março de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Reza na Rua Vermelha
Reza na Rua Vermelha
Wesley Faria
Era tarde, eu me lembro, vela acesa.
Pouca gente esperava na sala.
Pouca comida parava na mesa.
Um barulho de trovão, uns meninos apertavam as mãos,
Cada estalo era o início de outra oração, porque não se pode terminar oração com barulho de trovão.
Eu, pequeno, sentado e olhando, registrava cada cena, nem sentia o cheiro da poeira da rua vermelha.
A chuva caía de leve, as calças todas manchadas na beira, um vermelho-barro-sujo, uns dez chinelos na esteira...e o cachorro latiu com medo, Dona Nair disse depressa:
"Oh! Menino! Vá ver! Que a reza não pode parar!"
E lá fui eu na chuva e no barro, saltando as poças e tremendo com o barulho dos estalos,
"Corre menino, abra aqui! Não vê que tá chovendo?!"
Eu parei, na verdade não fui eu quem parou, foi o mundo que parou de girar, só pra ela não se molhar. A água parou de chiar, a tarde parou de cair, o cachorro parou de latir e o sol paralisou, lá no ar.
O tempo preso na cuia, a reza parada no meio e ela num vestido vermelho, me olhando na porta da frente.
Eu, besta e sorridente, com o estômago revirado de tanta borboleta que voava lá dentro, abri o portão e ela passou.
A barra da saia dela lambia o barro do chão, e lá fiquei...
Wesley Faria
Era tarde, eu me lembro, vela acesa.
Pouca gente esperava na sala.
Pouca comida parava na mesa.
Um barulho de trovão, uns meninos apertavam as mãos,
Cada estalo era o início de outra oração, porque não se pode terminar oração com barulho de trovão.
Eu, pequeno, sentado e olhando, registrava cada cena, nem sentia o cheiro da poeira da rua vermelha.
A chuva caía de leve, as calças todas manchadas na beira, um vermelho-barro-sujo, uns dez chinelos na esteira...e o cachorro latiu com medo, Dona Nair disse depressa:
"Oh! Menino! Vá ver! Que a reza não pode parar!"
E lá fui eu na chuva e no barro, saltando as poças e tremendo com o barulho dos estalos,
"Corre menino, abra aqui! Não vê que tá chovendo?!"
Eu parei, na verdade não fui eu quem parou, foi o mundo que parou de girar, só pra ela não se molhar. A água parou de chiar, a tarde parou de cair, o cachorro parou de latir e o sol paralisou, lá no ar.
O tempo preso na cuia, a reza parada no meio e ela num vestido vermelho, me olhando na porta da frente.
Eu, besta e sorridente, com o estômago revirado de tanta borboleta que voava lá dentro, abri o portão e ela passou.
A barra da saia dela lambia o barro do chão, e lá fiquei...
Tentando entender a primeira vez que uma santa chegou atrasada na oração.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Entre padres e ladrões
W.Faria
Olha tua mão, vê as linhas que a cruzam?
De fato não entende que são as mesmas que lhe guiam,
Olha teus pés, vê o formato de teus dedos?
Não se assemelham aos de tua mão
E ainda assim convivem em uma união íntima e incorruptível.
Teus olhos, distintos, ora cegos ora clarividentes,
Conduzem teu pensamento para dentro daquilo que lhe convém,
Não toca mais tua canção, não toca mais os corações,
Não fala mais do teu amor, cálido e brando como o céu entrebranco.
Pensa em ir para o alto sem perceber a putridez do chão de onde vem,
Sugere lindas melodias sem ter força para romper teu silêncio,
Ainda recosta em teu leito como fazia todas as manhãs?
Ainda ora para um deus terrível com aqueles que o abominam
E afável com os que o amam?
Ainda crê em um gramado frutífero em comum união?
Rasga tua veste e veste oque te sobras,
Assim conseguirá o vigor em tua obra.
Por fim, olha tua mão, vê que tudo que quiser é teu,
Do teu corpo fazes aquilo que bem pensar,
E no final, lembra-te que só é teu aquilo que puder carregar.
W.Faria
Olha tua mão, vê as linhas que a cruzam?
De fato não entende que são as mesmas que lhe guiam,
Olha teus pés, vê o formato de teus dedos?
Não se assemelham aos de tua mão
E ainda assim convivem em uma união íntima e incorruptível.
Teus olhos, distintos, ora cegos ora clarividentes,
Conduzem teu pensamento para dentro daquilo que lhe convém,
Não toca mais tua canção, não toca mais os corações,
Não fala mais do teu amor, cálido e brando como o céu entrebranco.
Pensa em ir para o alto sem perceber a putridez do chão de onde vem,
Sugere lindas melodias sem ter força para romper teu silêncio,
Ainda recosta em teu leito como fazia todas as manhãs?
Ainda ora para um deus terrível com aqueles que o abominam
E afável com os que o amam?
Ainda crê em um gramado frutífero em comum união?
Rasga tua veste e veste oque te sobras,
Assim conseguirá o vigor em tua obra.
Por fim, olha tua mão, vê que tudo que quiser é teu,
Do teu corpo fazes aquilo que bem pensar,
E no final, lembra-te que só é teu aquilo que puder carregar.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Anjo-cinza
Anjo-cinza
W.Faria
Andei além do tempo,
Onde só eu pude me ver,
Cantei segredos à noite,
Ninguém pode perceber.
Fiz versos, fiz poesias,
Melodias e canções,
Criei monstros,
Os matei,
Exterminei também corações.
Fui a vela, a cera quente,
Fui o prumo e a solução,
Fui o sexto elemento
Para quem precisou de proteção.
Cavalguei nas costas do vento,
Fui além dos meus ideais,
Não fui sequer uma milha
Do que almejavam meus pais.
Anjo-cinza, maltrapilho,
Gelei meus próprios invernos,
Queimei meus olhos ao céu,
Querendo escapar do inferno.
Fui poeta, meretriz,
Fui vigário, fui atriz,
Fui ator e fui feirante,
Fui aquilo que eu quis.
E agora, no precipício,
Penso lento em retornar,
Mas se a queda é passo a frente,
Mais um passo quero dar.
W.Faria
Andei além do tempo,
Onde só eu pude me ver,
Cantei segredos à noite,
Ninguém pode perceber.
Fiz versos, fiz poesias,
Melodias e canções,
Criei monstros,
Os matei,
Exterminei também corações.
Fui a vela, a cera quente,
Fui o prumo e a solução,
Fui o sexto elemento
Para quem precisou de proteção.
Cavalguei nas costas do vento,
Fui além dos meus ideais,
Não fui sequer uma milha
Do que almejavam meus pais.
Anjo-cinza, maltrapilho,
Gelei meus próprios invernos,
Queimei meus olhos ao céu,
Querendo escapar do inferno.
Fui poeta, meretriz,
Fui vigário, fui atriz,
Fui ator e fui feirante,
Fui aquilo que eu quis.
E agora, no precipício,
Penso lento em retornar,
Mas se a queda é passo a frente,
Mais um passo quero dar.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Quero a paz no interior
Quero a paz no interior.
W.Faria
Quero ir pra o meu interior,
Visitar meus sonhos que deixei na porteira,
Catar no pé de flor tudo aquilo que me despertou amor,
Desintoxicar meu peito com o ar fresco e renovado,
Ar que deixei pendurado, guardado e assegurado,
Numa bolha de um rio gelado,
Quero entrar neste rio, sorrir de frio e cansado,
Depois de ter corrido em galope, de abelhas apanhando melado.
Quero ir pra o meu interior,
Amanhecer ao lado de um passarinho,
Aprender com ele como é que se faz um ninho,
Quero pisar no barro, me molhar no orvalho devagarinho,
Esperar o sol me amanhecer e a lua me sussurrar que já é hora de ir,
Quero ser parte da terra, escapar de toda e qualquer guerra,
Filosofar num banquinho, com um graveto na boca,
Chapéu de palha branquinho e falar com a voz meio rouca,
- Agora eu achei meu lugar.
Quero entrar neste mato, ir tão fundo, tão longe,
A ponto de esquecer que sou gente,
Esquecer de política, de física, de matemática,
Matemática só é bom pra contar os ovos do galinheiro,
A física e a química que quero é só pra lavar o terreiro,
Com água, sabão de pedra e um pouquinho até de perfume,
Quero esquecer de lanterna, que vou trocar por vaga-lume
E se um dia eu lembrar da cidade eu faço de conta que nem lembrei,
E continuo mascando meu fumo, plantando meu milho e fubá,
Rezando e dobrando o juêi, e fazer a minha oração.
Mas minha reza, minha reza não é pra pedir proteção,
Eu faço é outra oração,
Minha oração é de pena,
De pena de mim que demorei,
Demorei pra poder entender
Que a vida é uma e não três,
E é lá no profundo do campo,
Que a gente desfaz o quebrando,
Que um dia a cidade nos fez.
W.Faria
Quero ir pra o meu interior,
Visitar meus sonhos que deixei na porteira,
Catar no pé de flor tudo aquilo que me despertou amor,
Desintoxicar meu peito com o ar fresco e renovado,
Ar que deixei pendurado, guardado e assegurado,
Numa bolha de um rio gelado,
Quero entrar neste rio, sorrir de frio e cansado,
Depois de ter corrido em galope, de abelhas apanhando melado.
Quero ir pra o meu interior,
Amanhecer ao lado de um passarinho,
Aprender com ele como é que se faz um ninho,
Quero pisar no barro, me molhar no orvalho devagarinho,
Esperar o sol me amanhecer e a lua me sussurrar que já é hora de ir,
Quero ser parte da terra, escapar de toda e qualquer guerra,
Filosofar num banquinho, com um graveto na boca,
Chapéu de palha branquinho e falar com a voz meio rouca,
- Agora eu achei meu lugar.
Quero entrar neste mato, ir tão fundo, tão longe,
A ponto de esquecer que sou gente,
Esquecer de política, de física, de matemática,
Matemática só é bom pra contar os ovos do galinheiro,
A física e a química que quero é só pra lavar o terreiro,
Com água, sabão de pedra e um pouquinho até de perfume,
Quero esquecer de lanterna, que vou trocar por vaga-lume
E se um dia eu lembrar da cidade eu faço de conta que nem lembrei,
E continuo mascando meu fumo, plantando meu milho e fubá,
Rezando e dobrando o juêi, e fazer a minha oração.
Mas minha reza, minha reza não é pra pedir proteção,
Eu faço é outra oração,
Minha oração é de pena,
De pena de mim que demorei,
Demorei pra poder entender
Que a vida é uma e não três,
E é lá no profundo do campo,
Que a gente desfaz o quebrando,
Que um dia a cidade nos fez.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Cria de um sabiá.
Cria de um sabiá.
W.Faria
Se um dia eu começar a avoar,
Não venha dizer que é surpresa,
De longe dá pra me ouvir piar,
Cantar a cor da natureza.
Se um dia eu teimar em pousar,
No varal da dona Tereza,
Ela vai querer me arrebentar,
E vai chorar de tristeza.
Varal nenhum há de aguentar
Tanto peso que carrego,
É um peso mesmo medonho,
De tanto sonho que rego.
No colo da minha mãe
Me lembro de ouvir falar,
De ter nascido um menino,
Que podia até avoar.
Mas não lembro de ter visto
Um diazinho sequer minha mãe dizer,
Que ia me levar pra um galho,
Pra eu aprender a descer.
Cresci mesmo meio sem jeito,
Com umas roupas de dar dó,
Menino brincava de carro,
De corda, peão e cipó,
E eu gostava quando um raio
Caia e levantava pó.
Minha mãe e pai não entendiam
Falavam :
"Minino pó pará,
ocê não é fio do vento,
pra querer só avuá.
Trate logo de se assentá
E ficá inguá todo mundo,
Que que o povo vai dizê,
Quando a notícia corrê,
Dizendo que fio meu,
Sartô do coqueiro maió,
Se arrodô, girô caiu,
Se estabefô no mei fiu,
Ahh minino, tenha dó."
Hoje eu posso entender,
Que não adianta correr,
Quando a gente nasce com asa,
Não dá pra tentar desnascer.
Tem muita pedra aqui em baixo,
Tem pouca cor, é o que acho,
Tem muita usina e cimento,
Tem pouco bitu e jumento,
Tem muita mentira falada,
Tem pouca verdade inventada,
Tem filho de seu doutor,
Que tem filho e não registrou,
Muita farsa, geringonça,
Pouco rio, riacho e onça,
Muito santo e pouco milagre,
Muito vinho e aí sim, muito vinagre.
Meu lugar não é aqui,
Soube desde que nasci,
Nunca gostei de andar,
Pulava pra economizar passo,
Crescia pra inventar espaço,
E agora que me entendo,
Sei que o que digo é remendo,
De uma verdade sem graça.
A cidade, a usina e a pracinha,
Um dia vão se acabar
E eu que não fico esperando
Tudo desmoronar,
Já que nasci cantando,
Hoje em dia ando treinando,
Pra poder me disparar,
Vou rasgar o céu bem cedo,
Quando ainda é alaranjado,
Vou ficar quieto em segredo,
Escondido atras da nuvem,
Quando ouvir o sino bento,
Vou saber que é relento,
E que já posso pousar,
Assim, quem sabe o povo enxerga
Que não sou filho da terra,
Eu sou filho é do ar,
Minha mãe só me criou,
Porque ficou sem jeito,
De dizer que com respeito,
Ela criava um sabiá.
Viver versando
Viver versando
Wesley Faria
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando,
A vida é mais bonita quando o dia vem chegando,
A gente se ajeita na cama, apaga o lampião de gás,
e vai logo pra janela celebrar o que o dia traz,
Um cheirinho de café, quando a gente escuita o bule,
Corre logo pra cozinha pra acordar mais depressinha.
Um rádio toca baixinho, um som de seresta e prosa,
Um cheirinho de goiaba misturado com flor de rosa,
O galo canta sem graça, o beija-flor já vem chegando,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
Uma velha bem velinha na beirada da janela,
Faz a prece e bota a santinha do ladinho de uma vela,
A broa já ta no fogo, com cheirinho de canela,
E os menino esperando lá fora a condução levar pra escola,
Uns com os olhinhos fechados, outros não dão muita bola,
Um corre apressadinho, acho que perdeu a hora.
A enchada com o sorriso na cara, esperando ser empunhada,
E o lavrador de cara já lavada caminha pra dentro da terra,
Que espera ser lavrada.
O café vai se acabando, a fivela se apertando,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
Ali perto um riacho, uma bica e um girassol,
A mocinha corre logo pra estender o seu varal,
Um cacheiro vem fumando, um matuto reclamando,
Cancioneiro se cansando, os cansados já sonhando,
Sonhadores se levantam e os de pé nem se amedrontam,
O riachinho lava a cintura, as águas levam a espuma,
O gado lá longe espia, bem-te-vi canta, gato mia,
Uma cena radiante, faz a gente ir mudando,
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando.
A vida no interior é que é boa, tem mais serra, mais lagoa,
Mais poesia, mais tempo a toa, mais toada, mais trovão,
Tem mais chuva, mais garoa, tem viola, tem terreiro,
Tem trabalho o ano inteiro.
E no final quando o dia acaba, vem passando um boiadeiro,
Vem guiando sua boiada,
Os menino correndo atrás, passarada em revoada,
E o boiadeiro com berrante vai gritando sua chegada.
Meu trabalho já ta feito, já registrei toda cena,
O sol vai cochilando, caindo por trás do morro,
E eu já vou caminhando, vou pra outro povoado,
Dar poesia, dar socorro.
Vou tocando violão, um acorde ou dois no máximo,
Erro toda hora o tom, mas sei que não erro a mão,
Porque toco, canto e verso, com a voz do coração,
Simples e sem dinheiro, vou de nuvem em nuvem,
Sem paradeiro, até que um dia encontre,
Meu vozinho brincando de guerreiro,
Numa guerra branca e fofa, feita de tanto travesseiro.
De repente uma nuvem cai e vejo um velhinho levantando,
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando.
Meu vozinho bem que sabe, bem que disse e é verdadeiro,
Que um dia a gente se encontra, ganha quem ver primeiro,
Vou buscando, procurando, em cada forma de nuvem,
Eu afirmo e não duvido, meu vozinho tão lindo está,
Em cada verso que digo,
Enquanto não o reencontro, vou por ai vigiando,
Cada nuvem que vejo fico aqui debaixo inspecionando,
Se uma me dá um sorriso, sei que é ele me vigiando,
A noite caindo lenta, estrela me alumiando,
Vagalume pisca pisca, vem pelo breu salpicando,
Mariposa roda a luz e a lua assume o trono,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
A lenha estala alto, molecada vem chegando.
Sinhá dona traz café pro moço que ta capinando,
O cavalo já nem trota, passo largo, meia cela,
Risaiada pela rua, a velhinha acende as vela,
Acende uma pro anjo, uma vai na romaria,
A igreja se ilumina, é hora da sacristia,
A praça fica lotada, viola com companhia,
E a lua é lamparina pra trazer a luz do dia,
Digo adeus ao povoado, agradeço a moradia,
Vou pra estrada novamente, levando minha poesia.
Numa mão minha viola, na outra o desencanto,
Que pra o apego não me tapar a vista, enquanto estiver voando,
Mais um dia uma cidade, uma prenda sem desengano,
Ahh, eu gosto tanto, de viver assim versando.
Wesley Faria
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando,
A vida é mais bonita quando o dia vem chegando,
A gente se ajeita na cama, apaga o lampião de gás,
e vai logo pra janela celebrar o que o dia traz,
Um cheirinho de café, quando a gente escuita o bule,
Corre logo pra cozinha pra acordar mais depressinha.
Um rádio toca baixinho, um som de seresta e prosa,
Um cheirinho de goiaba misturado com flor de rosa,
O galo canta sem graça, o beija-flor já vem chegando,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
Uma velha bem velinha na beirada da janela,
Faz a prece e bota a santinha do ladinho de uma vela,
A broa já ta no fogo, com cheirinho de canela,
E os menino esperando lá fora a condução levar pra escola,
Uns com os olhinhos fechados, outros não dão muita bola,
Um corre apressadinho, acho que perdeu a hora.
A enchada com o sorriso na cara, esperando ser empunhada,
E o lavrador de cara já lavada caminha pra dentro da terra,
Que espera ser lavrada.
O café vai se acabando, a fivela se apertando,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
Ali perto um riacho, uma bica e um girassol,
A mocinha corre logo pra estender o seu varal,
Um cacheiro vem fumando, um matuto reclamando,
Cancioneiro se cansando, os cansados já sonhando,
Sonhadores se levantam e os de pé nem se amedrontam,
O riachinho lava a cintura, as águas levam a espuma,
O gado lá longe espia, bem-te-vi canta, gato mia,
Uma cena radiante, faz a gente ir mudando,
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando.
A vida no interior é que é boa, tem mais serra, mais lagoa,
Mais poesia, mais tempo a toa, mais toada, mais trovão,
Tem mais chuva, mais garoa, tem viola, tem terreiro,
Tem trabalho o ano inteiro.
E no final quando o dia acaba, vem passando um boiadeiro,
Vem guiando sua boiada,
Os menino correndo atrás, passarada em revoada,
E o boiadeiro com berrante vai gritando sua chegada.
Meu trabalho já ta feito, já registrei toda cena,
O sol vai cochilando, caindo por trás do morro,
E eu já vou caminhando, vou pra outro povoado,
Dar poesia, dar socorro.
Vou tocando violão, um acorde ou dois no máximo,
Erro toda hora o tom, mas sei que não erro a mão,
Porque toco, canto e verso, com a voz do coração,
Simples e sem dinheiro, vou de nuvem em nuvem,
Sem paradeiro, até que um dia encontre,
Meu vozinho brincando de guerreiro,
Numa guerra branca e fofa, feita de tanto travesseiro.
De repente uma nuvem cai e vejo um velhinho levantando,
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando.
Meu vozinho bem que sabe, bem que disse e é verdadeiro,
Que um dia a gente se encontra, ganha quem ver primeiro,
Vou buscando, procurando, em cada forma de nuvem,
Eu afirmo e não duvido, meu vozinho tão lindo está,
Em cada verso que digo,
Enquanto não o reencontro, vou por ai vigiando,
Cada nuvem que vejo fico aqui debaixo inspecionando,
Se uma me dá um sorriso, sei que é ele me vigiando,
A noite caindo lenta, estrela me alumiando,
Vagalume pisca pisca, vem pelo breu salpicando,
Mariposa roda a luz e a lua assume o trono,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
A lenha estala alto, molecada vem chegando.
Sinhá dona traz café pro moço que ta capinando,
O cavalo já nem trota, passo largo, meia cela,
Risaiada pela rua, a velhinha acende as vela,
Acende uma pro anjo, uma vai na romaria,
A igreja se ilumina, é hora da sacristia,
A praça fica lotada, viola com companhia,
E a lua é lamparina pra trazer a luz do dia,
Digo adeus ao povoado, agradeço a moradia,
Vou pra estrada novamente, levando minha poesia.
Numa mão minha viola, na outra o desencanto,
Que pra o apego não me tapar a vista, enquanto estiver voando,
Mais um dia uma cidade, uma prenda sem desengano,
Ahh, eu gosto tanto, de viver assim versando.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Passarinho
Passarinho
W.Faria
Quem conhece mesmo a vida,
Trate logo de dizer,
Quem sabe de margarida,
De paixão, de amanhecer,
Quem sabe de rio gelado,
Que faz a pele esfriar,
Conhece um sabiá no galho
E uma muda de Ingá.
Quem nunca chorou de saudade,
Vendo o sol morrer de tarde,
Quem nunca quis que os dias,
Não nos dessem mais idade,
E um dia a gente olha,
Vê da janela lá fora,
Um mundo novo a esperar.
A gente se aquieta um pouquinho,
Percebe que nosso ninho
É mesmo nesse lugar,
Quando o amor canta de leve,
Nos fazendo adormecer,
A gente percebe fácil,
Que faz bem amadurecer.
Bom mesmo é plantar semente,
Pra o mundo inteiro colher,
Deixar um broto da gente,
E cultivar pra crescer,
Tem dias que dá saudade,
Quando a flor completa idade,
Mas sabemos que um broto,
Precisa de chuva pra viver.
E quem conhece mesmo a vida,
Trate logo de dizer,
Não há amor de verdade,
Até um filho nascer,
Depois disso colo é ninho,
Braço é asa e pé é caminho,
E até poder voar sozinho,
Todo filho é passarinho.
W.Faria
Quem conhece mesmo a vida,
Trate logo de dizer,
Quem sabe de margarida,
De paixão, de amanhecer,
Quem sabe de rio gelado,
Que faz a pele esfriar,
Conhece um sabiá no galho
E uma muda de Ingá.
Quem nunca chorou de saudade,
Vendo o sol morrer de tarde,
Quem nunca quis que os dias,
Não nos dessem mais idade,
E um dia a gente olha,
Vê da janela lá fora,
Um mundo novo a esperar.
A gente se aquieta um pouquinho,
Percebe que nosso ninho
É mesmo nesse lugar,
Quando o amor canta de leve,
Nos fazendo adormecer,
A gente percebe fácil,
Que faz bem amadurecer.
Bom mesmo é plantar semente,
Pra o mundo inteiro colher,
Deixar um broto da gente,
E cultivar pra crescer,
Tem dias que dá saudade,
Quando a flor completa idade,
Mas sabemos que um broto,
Precisa de chuva pra viver.
E quem conhece mesmo a vida,
Trate logo de dizer,
Não há amor de verdade,
Até um filho nascer,
Depois disso colo é ninho,
Braço é asa e pé é caminho,
E até poder voar sozinho,
Todo filho é passarinho.
Vinte anos de solidão
Vinte anos de solidão
W.Faria
No sertão cabra macho também pia
quando a seca devora a plantação
quando q chuva não faz a companhia
é jiboia caçando de facão
feito ave maria mal rezada
todo o dia se arrasta pelo chão
a poeira se esconde entre os dentes
é a peleja do cego em contramão
Até o padre suspende a igreja
essa noite jesus não vem rezar
foi-se embora de sede e de fome
trabalhando em um canavial
e os olhos de tantos desprovidos
fome é grande mas é menor que o sonho
que se esconde atras de cada verso
do menino e do velho risonho.
No sertão cabra macho também pia
quando vê a mãe preta falecer
é o momento que tanta valentia
perde feio pra o entristecer.
Tange o carro de boi na rodovia
na poeira do sonho que ficou
deixa a casa de palha abandonada
segue em rumo da estrada que encontrou
o retrato da mãe recém matada
pela peste que come o sertão
leva junto do peito bem guardado
no tão amarelado coração
vai tentar outra vida de formiga
depois é mais vinte anos de solidão.
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