Uma valsa a para ela.
W.Faria
A vida repõe os trechos que as dores apagaram,
Refaz as pontes entre penhascos que desabaram,
Dos gritos de dor intensa até as lascívias horrendas,
Dos calos brotaram as flores e cores de mil amores,
Em uma valsa paralela, tilintam os tons de aquarela,
Teu riso seguro no ar, teus ares aos quais respirar,
E a vida rangendo seu dorso no leito que ninguém mais vê,
Entre os dias e noites, lembranças,
E eu gargalhando você.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Aos meninos sinaleiros. (Aos meninos do semáforo)
Aos meninos sinaleiros. (Aos meninos do semáforo)
W.Faria
Chiclete, drops de hortelã,
Gripe, dores e febre afã.
Abaixa o vidro e mira a fronte,
Vomitam notas e moedas,
Como se atirassem sonhos à fonte.
Malabaristas e pirófagos
Órfãos da cidade,
Devorados por políticos antropófagos,
Um real para quem não é visto com real,
"Três vezes negarás o meu nome"
Disse o homem, disse o homem.
Tira este moleque do sinal
E faz de um politico corrupto seu mais indecente marginal.
Rasga este livro de lei e abra um de alfabetização.
Queime este terno e gravata
E coloque teu pé no chão,
Cospe sua palavra bela e embeleza-te a alma,
Não concorde com os sorrisos
De quem não conhece a palavra 'calma'.
W.Faria
Chiclete, drops de hortelã,
Gripe, dores e febre afã.
Abaixa o vidro e mira a fronte,
Vomitam notas e moedas,
Como se atirassem sonhos à fonte.
Malabaristas e pirófagos
Órfãos da cidade,
Devorados por políticos antropófagos,
Um real para quem não é visto com real,
"Três vezes negarás o meu nome"
Disse o homem, disse o homem.
Tira este moleque do sinal
E faz de um politico corrupto seu mais indecente marginal.
Rasga este livro de lei e abra um de alfabetização.
Queime este terno e gravata
E coloque teu pé no chão,
Cospe sua palavra bela e embeleza-te a alma,
Não concorde com os sorrisos
De quem não conhece a palavra 'calma'.
domingo, 30 de março de 2014
C'est la vie
C'est la vie
Khristopher
Não tenho a capacidade que muitos tem de entender coisas simples como uma piada irônica, acredito que isso se dê pelo fato de que não creio que alguém irá responder um questionamento sério com uma anedota, acredito também que conseguir encaixar uma piada em um bom momento e fazer dela a ponte entre assuntos aos quais se quer chegar é um dado de genialidade e confesso que não conheço muitos gênios, um ou outro intelectualóide ou cinefilos que repetem cenas corriqueiras de filmes com um roteiro de péssima qualidade.
Não tenho a pretensão de me encaixar em um segmento ou defender uma causa, aliás defendo a minha causa e sempre defenderei, se esta causa apóia a sua, ótimo, se não apóia não é por isso que deva me considerar uma pessoa pior que você, isso se chama etnocentrismo e esta atitude tem seus danos e ganhos.
Como disse, alguns cortes arrancam partes importantes de nós e em raros momentos, ocasiões quase impossíveis de acontecer, acontece uma fagulha que desperta todo o senso de atenção peculiar ao cérebro humano ou animal, neste momento você terá duas escolhas, ou entende quais as mensagens desta fagulha ou faz de tudo para deixá-la se esvair lentamente.
No meu caso a compreensão é natural e com uma ou duas linhas dedutivas posso perceber uma real modificação em crenças e uma considerável gana por recriar palácios de memória nos quais eu volto a depositar sentidos já perdidos pelo percurso. Esse fato fascinante não faz com que eu queira dizer que volto a ter uma considerável vontade de pertencer ao meio social, ou de ter a fé de que o outro é tão capaz quanto diz ser, bom quanto diz ser, dotado de inteligência quanto diz ser, esse fascinante fato revela apenas que dentre os milhões e milhões de seres que habitam o meio ambiente do qual todos nós fazemos parte existe um, apenas um, que chamou minha atenção e faz com que releve o contexto irrelevante que passou a se tornar a racionalidade.
Não tenho a pretensão de me encaixar em um segmento ou defender uma causa, aliás defendo a minha causa e sempre defenderei, se esta causa apóia a sua, ótimo, se não apóia não é por isso que deva me considerar uma pessoa pior que você, isso se chama etnocentrismo e esta atitude tem seus danos e ganhos.
Como disse, alguns cortes arrancam partes importantes de nós e em raros momentos, ocasiões quase impossíveis de acontecer, acontece uma fagulha que desperta todo o senso de atenção peculiar ao cérebro humano ou animal, neste momento você terá duas escolhas, ou entende quais as mensagens desta fagulha ou faz de tudo para deixá-la se esvair lentamente.
No meu caso a compreensão é natural e com uma ou duas linhas dedutivas posso perceber uma real modificação em crenças e uma considerável gana por recriar palácios de memória nos quais eu volto a depositar sentidos já perdidos pelo percurso. Esse fato fascinante não faz com que eu queira dizer que volto a ter uma considerável vontade de pertencer ao meio social, ou de ter a fé de que o outro é tão capaz quanto diz ser, bom quanto diz ser, dotado de inteligência quanto diz ser, esse fascinante fato revela apenas que dentre os milhões e milhões de seres que habitam o meio ambiente do qual todos nós fazemos parte existe um, apenas um, que chamou minha atenção e faz com que releve o contexto irrelevante que passou a se tornar a racionalidade.
"Habria sido maravilloso conocernos antes, habernos casado, tenido hijos.."
C'est la vie
quinta-feira, 27 de março de 2014
Natural Mente
Natural Mente
W.Faria
Sou meu próprio profeta,
minha flecha de alerta,
não tenho cavalo branco,
não caminho em linha reta,.
Tenho minha própria tábua da lei,
Não queimo bruxas ou nomeio algum rei,
Sou eu meu próprio adversário,
Meu Dia de Reis, Páscoa, Aniversário,
Sou eu quem me enforco aos poucos,
Sou minhas prisões, rugidos roucos,
cemitérios e berçários.
não lhe peço oratório,
nem canto e nem velório
sou eu quem escolhe o pranto
Minha mente, meu purgatório.
W.Faria
Sou meu próprio profeta,
minha flecha de alerta,
não tenho cavalo branco,
não caminho em linha reta,.
Tenho minha própria tábua da lei,
Não queimo bruxas ou nomeio algum rei,
Sou eu meu próprio adversário,
Meu Dia de Reis, Páscoa, Aniversário,
Sou eu quem me enforco aos poucos,
Sou minhas prisões, rugidos roucos,
cemitérios e berçários.
não lhe peço oratório,
nem canto e nem velório
sou eu quem escolhe o pranto
Minha mente, meu purgatório.
terça-feira, 25 de março de 2014
A quantidade é relativa.
A quantidade é relativa.
W.Faria (Khristopher)
Quanto mais melhor, correto?
Errado, esse ditado de que a quantidade define o benefício é um dos grandes mitos da modernidade, se é que podemos chamar de modernidade um país com o terceiro maior índice de mortalidade infantil na América do Sul, 8° país com maior número de analfabetos adultos, segundo a Unesco e o segundo maior índice de analfabetismo da América Latina. Imaginar como os iluministas devem estar felizes neste instante com dados tão alarmantes é fascinante. Essa é nossa modernidade e com ela a quantidade não é qualidade e sim um acúmulo de numerais que parecem apontar na direção contrária de toda e qualquer benéfice nacional.
Quanto mais analfabetismo melhor? quanto mais mortes infantis melhor? se você julga que a resposta para essas questões está calcado na afirmação é hora de orar por sua comunicação neuronal e não precisa ser para deus, que vem sido visto como um egocêntrico, sádico e com problemas de baixa auto-estima, pedindo a todo momento que o adorem, segundo alguns religiosos, "Deus só quer que você o ame", é como se ele dissesse o tempo todo: "Vamos, me amem, me amem, me amem" ora já basta, quem ama não o faz por insistência, afinal quem nunca disse para seu parceiro ou parceira - Preciso de espaço! se você me pedir para te amar ai é que eu vou travar, tem q ser espontâneo. Então, com a fé tem que ser a mesma coisa, mas retomo agora o processo inicial deste texto.
Você seria capaz de dizer qual foi a vez que a quantidade determinou a qualidade de algo? antes que você diga perceba que quase todos pensarão no dinheiro, como quem diz "quanto mais dinheiro eu tiver mais feliz serei" logo meu companheiro, se você possuir este mesmo pensamento é hora de trocar o processo de comunicação neuronal por semi-vegetação seguida de eutanásia de sonhos e planos.
Perceba que quanto mais passos você dá mais próximo fica do final do caminho e, com isso, com muito mais dores nas pernas, logo o processo de busca pela sua felicidade envolve dores, perdas e lágrimas. A partir deste principio de imagem pode-se dizer que a quantidade é relativa, correto? errado novamente, a quantidade é relativa em qualquer circunstância e não uma hora ou outra, a velha história do copo que está vazio mas cheio de ar, o copo que está cheio mas vazio de espaço.
Saiba que somos nós é quem deixamos algo ser bom ou ruim, somos nós os responsáveis pelas nossas lágrimas e sorrisos, somos nós os mais propícios a loucura todos os dias, somos nós quem agimos como estúpidos ao vermos alguém ser estúpidos e não agirmos.
Lembre-se sempre que de longe todo formigueiro parece um monte de terra, nada é unilateral e neste caso multilateral, não existe verdade, existem verdades, partes de uma mesma verdade que é contada por cada um de uma forma peculiar.
E pergunte ao seu eu interior, se até a quantidade, oriunda de uma lógica irrefutável de que toda quantidade é lógica e inegavelmente sinal de qualidade será que tudo é relativo ou não? a resposta é simples, "é relativo" afinal nem a verdade é absoluta, nada é absoluta, nem a Vodka Absolut é absolutamente álcool.
A única verdade que não se pode negar é que o Brasil, com o seu Governo Federal e seu genial, pero no mucho, slogan "Brasil, Pais Rico é País Sem Pobreza" está deveras negando os dados preocupantes nos quais estão inseridos nosso povão sorridente, mas se pensarmos bem até mesmo o poder do Governo Federal é relativo, ou deveria ser, deveria ser Poder Relativamente Federal, visto que os três poderes não são tão eficazes quanto dizem ser, basta estar atento aos índices e dados processuais e suas relevâncias como mostram as manchetes "Garoto rouba bala e é morto por policiais" e em contraponto "Politico ladrão é reeleito em cidade grande". Em alguns casos os três poderes da união deveriam se unir em um só, o poder da Inércia, esse sim funcionaria perfeitamente, aliás, vai saber se até nesse não haveria corrupção.
Esse é o nosso país, onde os traseiros não ficam para trás e é o futuro, que naturalmente ficaria para frente, acaba ficando para o passado. Esse é o país do futebol, que não é o país do futebol, levando em consideração que o esporte surgiu na Inglaterra, segundo antigas pesquisas e a reportagem da revista Superinteressante de novembro de 2009.
Enfim, muita paz à todos, ou não, afinal até a paz é relativa mas nunca irrelevante.
W.Faria (Khristopher)
Quanto mais melhor, correto?
Errado, esse ditado de que a quantidade define o benefício é um dos grandes mitos da modernidade, se é que podemos chamar de modernidade um país com o terceiro maior índice de mortalidade infantil na América do Sul, 8° país com maior número de analfabetos adultos, segundo a Unesco e o segundo maior índice de analfabetismo da América Latina. Imaginar como os iluministas devem estar felizes neste instante com dados tão alarmantes é fascinante. Essa é nossa modernidade e com ela a quantidade não é qualidade e sim um acúmulo de numerais que parecem apontar na direção contrária de toda e qualquer benéfice nacional.
Quanto mais analfabetismo melhor? quanto mais mortes infantis melhor? se você julga que a resposta para essas questões está calcado na afirmação é hora de orar por sua comunicação neuronal e não precisa ser para deus, que vem sido visto como um egocêntrico, sádico e com problemas de baixa auto-estima, pedindo a todo momento que o adorem, segundo alguns religiosos, "Deus só quer que você o ame", é como se ele dissesse o tempo todo: "Vamos, me amem, me amem, me amem" ora já basta, quem ama não o faz por insistência, afinal quem nunca disse para seu parceiro ou parceira - Preciso de espaço! se você me pedir para te amar ai é que eu vou travar, tem q ser espontâneo. Então, com a fé tem que ser a mesma coisa, mas retomo agora o processo inicial deste texto.
Você seria capaz de dizer qual foi a vez que a quantidade determinou a qualidade de algo? antes que você diga perceba que quase todos pensarão no dinheiro, como quem diz "quanto mais dinheiro eu tiver mais feliz serei" logo meu companheiro, se você possuir este mesmo pensamento é hora de trocar o processo de comunicação neuronal por semi-vegetação seguida de eutanásia de sonhos e planos.
Perceba que quanto mais passos você dá mais próximo fica do final do caminho e, com isso, com muito mais dores nas pernas, logo o processo de busca pela sua felicidade envolve dores, perdas e lágrimas. A partir deste principio de imagem pode-se dizer que a quantidade é relativa, correto? errado novamente, a quantidade é relativa em qualquer circunstância e não uma hora ou outra, a velha história do copo que está vazio mas cheio de ar, o copo que está cheio mas vazio de espaço.
Saiba que somos nós é quem deixamos algo ser bom ou ruim, somos nós os responsáveis pelas nossas lágrimas e sorrisos, somos nós os mais propícios a loucura todos os dias, somos nós quem agimos como estúpidos ao vermos alguém ser estúpidos e não agirmos.
Lembre-se sempre que de longe todo formigueiro parece um monte de terra, nada é unilateral e neste caso multilateral, não existe verdade, existem verdades, partes de uma mesma verdade que é contada por cada um de uma forma peculiar.
E pergunte ao seu eu interior, se até a quantidade, oriunda de uma lógica irrefutável de que toda quantidade é lógica e inegavelmente sinal de qualidade será que tudo é relativo ou não? a resposta é simples, "é relativo" afinal nem a verdade é absoluta, nada é absoluta, nem a Vodka Absolut é absolutamente álcool.
A única verdade que não se pode negar é que o Brasil, com o seu Governo Federal e seu genial, pero no mucho, slogan "Brasil, Pais Rico é País Sem Pobreza" está deveras negando os dados preocupantes nos quais estão inseridos nosso povão sorridente, mas se pensarmos bem até mesmo o poder do Governo Federal é relativo, ou deveria ser, deveria ser Poder Relativamente Federal, visto que os três poderes não são tão eficazes quanto dizem ser, basta estar atento aos índices e dados processuais e suas relevâncias como mostram as manchetes "Garoto rouba bala e é morto por policiais" e em contraponto "Politico ladrão é reeleito em cidade grande". Em alguns casos os três poderes da união deveriam se unir em um só, o poder da Inércia, esse sim funcionaria perfeitamente, aliás, vai saber se até nesse não haveria corrupção.
Esse é o nosso país, onde os traseiros não ficam para trás e é o futuro, que naturalmente ficaria para frente, acaba ficando para o passado. Esse é o país do futebol, que não é o país do futebol, levando em consideração que o esporte surgiu na Inglaterra, segundo antigas pesquisas e a reportagem da revista Superinteressante de novembro de 2009.
Enfim, muita paz à todos, ou não, afinal até a paz é relativa mas nunca irrelevante.
domingo, 23 de março de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Reza na Rua Vermelha
Reza na Rua Vermelha
Wesley Faria
Era tarde, eu me lembro, vela acesa.
Pouca gente esperava na sala.
Pouca comida parava na mesa.
Um barulho de trovão, uns meninos apertavam as mãos,
Cada estalo era o início de outra oração, porque não se pode terminar oração com barulho de trovão.
Eu, pequeno, sentado e olhando, registrava cada cena, nem sentia o cheiro da poeira da rua vermelha.
A chuva caía de leve, as calças todas manchadas na beira, um vermelho-barro-sujo, uns dez chinelos na esteira...e o cachorro latiu com medo, Dona Nair disse depressa:
"Oh! Menino! Vá ver! Que a reza não pode parar!"
E lá fui eu na chuva e no barro, saltando as poças e tremendo com o barulho dos estalos,
"Corre menino, abra aqui! Não vê que tá chovendo?!"
Eu parei, na verdade não fui eu quem parou, foi o mundo que parou de girar, só pra ela não se molhar. A água parou de chiar, a tarde parou de cair, o cachorro parou de latir e o sol paralisou, lá no ar.
O tempo preso na cuia, a reza parada no meio e ela num vestido vermelho, me olhando na porta da frente.
Eu, besta e sorridente, com o estômago revirado de tanta borboleta que voava lá dentro, abri o portão e ela passou.
A barra da saia dela lambia o barro do chão, e lá fiquei...
Wesley Faria
Era tarde, eu me lembro, vela acesa.
Pouca gente esperava na sala.
Pouca comida parava na mesa.
Um barulho de trovão, uns meninos apertavam as mãos,
Cada estalo era o início de outra oração, porque não se pode terminar oração com barulho de trovão.
Eu, pequeno, sentado e olhando, registrava cada cena, nem sentia o cheiro da poeira da rua vermelha.
A chuva caía de leve, as calças todas manchadas na beira, um vermelho-barro-sujo, uns dez chinelos na esteira...e o cachorro latiu com medo, Dona Nair disse depressa:
"Oh! Menino! Vá ver! Que a reza não pode parar!"
E lá fui eu na chuva e no barro, saltando as poças e tremendo com o barulho dos estalos,
"Corre menino, abra aqui! Não vê que tá chovendo?!"
Eu parei, na verdade não fui eu quem parou, foi o mundo que parou de girar, só pra ela não se molhar. A água parou de chiar, a tarde parou de cair, o cachorro parou de latir e o sol paralisou, lá no ar.
O tempo preso na cuia, a reza parada no meio e ela num vestido vermelho, me olhando na porta da frente.
Eu, besta e sorridente, com o estômago revirado de tanta borboleta que voava lá dentro, abri o portão e ela passou.
A barra da saia dela lambia o barro do chão, e lá fiquei...
Tentando entender a primeira vez que uma santa chegou atrasada na oração.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Entre padres e ladrões
W.Faria
Olha tua mão, vê as linhas que a cruzam?
De fato não entende que são as mesmas que lhe guiam,
Olha teus pés, vê o formato de teus dedos?
Não se assemelham aos de tua mão
E ainda assim convivem em uma união íntima e incorruptível.
Teus olhos, distintos, ora cegos ora clarividentes,
Conduzem teu pensamento para dentro daquilo que lhe convém,
Não toca mais tua canção, não toca mais os corações,
Não fala mais do teu amor, cálido e brando como o céu entrebranco.
Pensa em ir para o alto sem perceber a putridez do chão de onde vem,
Sugere lindas melodias sem ter força para romper teu silêncio,
Ainda recosta em teu leito como fazia todas as manhãs?
Ainda ora para um deus terrível com aqueles que o abominam
E afável com os que o amam?
Ainda crê em um gramado frutífero em comum união?
Rasga tua veste e veste oque te sobras,
Assim conseguirá o vigor em tua obra.
Por fim, olha tua mão, vê que tudo que quiser é teu,
Do teu corpo fazes aquilo que bem pensar,
E no final, lembra-te que só é teu aquilo que puder carregar.
W.Faria
Olha tua mão, vê as linhas que a cruzam?
De fato não entende que são as mesmas que lhe guiam,
Olha teus pés, vê o formato de teus dedos?
Não se assemelham aos de tua mão
E ainda assim convivem em uma união íntima e incorruptível.
Teus olhos, distintos, ora cegos ora clarividentes,
Conduzem teu pensamento para dentro daquilo que lhe convém,
Não toca mais tua canção, não toca mais os corações,
Não fala mais do teu amor, cálido e brando como o céu entrebranco.
Pensa em ir para o alto sem perceber a putridez do chão de onde vem,
Sugere lindas melodias sem ter força para romper teu silêncio,
Ainda recosta em teu leito como fazia todas as manhãs?
Ainda ora para um deus terrível com aqueles que o abominam
E afável com os que o amam?
Ainda crê em um gramado frutífero em comum união?
Rasga tua veste e veste oque te sobras,
Assim conseguirá o vigor em tua obra.
Por fim, olha tua mão, vê que tudo que quiser é teu,
Do teu corpo fazes aquilo que bem pensar,
E no final, lembra-te que só é teu aquilo que puder carregar.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Anjo-cinza
Anjo-cinza
W.Faria
Andei além do tempo,
Onde só eu pude me ver,
Cantei segredos à noite,
Ninguém pode perceber.
Fiz versos, fiz poesias,
Melodias e canções,
Criei monstros,
Os matei,
Exterminei também corações.
Fui a vela, a cera quente,
Fui o prumo e a solução,
Fui o sexto elemento
Para quem precisou de proteção.
Cavalguei nas costas do vento,
Fui além dos meus ideais,
Não fui sequer uma milha
Do que almejavam meus pais.
Anjo-cinza, maltrapilho,
Gelei meus próprios invernos,
Queimei meus olhos ao céu,
Querendo escapar do inferno.
Fui poeta, meretriz,
Fui vigário, fui atriz,
Fui ator e fui feirante,
Fui aquilo que eu quis.
E agora, no precipício,
Penso lento em retornar,
Mas se a queda é passo a frente,
Mais um passo quero dar.
W.Faria
Andei além do tempo,
Onde só eu pude me ver,
Cantei segredos à noite,
Ninguém pode perceber.
Fiz versos, fiz poesias,
Melodias e canções,
Criei monstros,
Os matei,
Exterminei também corações.
Fui a vela, a cera quente,
Fui o prumo e a solução,
Fui o sexto elemento
Para quem precisou de proteção.
Cavalguei nas costas do vento,
Fui além dos meus ideais,
Não fui sequer uma milha
Do que almejavam meus pais.
Anjo-cinza, maltrapilho,
Gelei meus próprios invernos,
Queimei meus olhos ao céu,
Querendo escapar do inferno.
Fui poeta, meretriz,
Fui vigário, fui atriz,
Fui ator e fui feirante,
Fui aquilo que eu quis.
E agora, no precipício,
Penso lento em retornar,
Mas se a queda é passo a frente,
Mais um passo quero dar.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Quero a paz no interior
Quero a paz no interior.
W.Faria
Quero ir pra o meu interior,
Visitar meus sonhos que deixei na porteira,
Catar no pé de flor tudo aquilo que me despertou amor,
Desintoxicar meu peito com o ar fresco e renovado,
Ar que deixei pendurado, guardado e assegurado,
Numa bolha de um rio gelado,
Quero entrar neste rio, sorrir de frio e cansado,
Depois de ter corrido em galope, de abelhas apanhando melado.
Quero ir pra o meu interior,
Amanhecer ao lado de um passarinho,
Aprender com ele como é que se faz um ninho,
Quero pisar no barro, me molhar no orvalho devagarinho,
Esperar o sol me amanhecer e a lua me sussurrar que já é hora de ir,
Quero ser parte da terra, escapar de toda e qualquer guerra,
Filosofar num banquinho, com um graveto na boca,
Chapéu de palha branquinho e falar com a voz meio rouca,
- Agora eu achei meu lugar.
Quero entrar neste mato, ir tão fundo, tão longe,
A ponto de esquecer que sou gente,
Esquecer de política, de física, de matemática,
Matemática só é bom pra contar os ovos do galinheiro,
A física e a química que quero é só pra lavar o terreiro,
Com água, sabão de pedra e um pouquinho até de perfume,
Quero esquecer de lanterna, que vou trocar por vaga-lume
E se um dia eu lembrar da cidade eu faço de conta que nem lembrei,
E continuo mascando meu fumo, plantando meu milho e fubá,
Rezando e dobrando o juêi, e fazer a minha oração.
Mas minha reza, minha reza não é pra pedir proteção,
Eu faço é outra oração,
Minha oração é de pena,
De pena de mim que demorei,
Demorei pra poder entender
Que a vida é uma e não três,
E é lá no profundo do campo,
Que a gente desfaz o quebrando,
Que um dia a cidade nos fez.
W.Faria
Quero ir pra o meu interior,
Visitar meus sonhos que deixei na porteira,
Catar no pé de flor tudo aquilo que me despertou amor,
Desintoxicar meu peito com o ar fresco e renovado,
Ar que deixei pendurado, guardado e assegurado,
Numa bolha de um rio gelado,
Quero entrar neste rio, sorrir de frio e cansado,
Depois de ter corrido em galope, de abelhas apanhando melado.
Quero ir pra o meu interior,
Amanhecer ao lado de um passarinho,
Aprender com ele como é que se faz um ninho,
Quero pisar no barro, me molhar no orvalho devagarinho,
Esperar o sol me amanhecer e a lua me sussurrar que já é hora de ir,
Quero ser parte da terra, escapar de toda e qualquer guerra,
Filosofar num banquinho, com um graveto na boca,
Chapéu de palha branquinho e falar com a voz meio rouca,
- Agora eu achei meu lugar.
Quero entrar neste mato, ir tão fundo, tão longe,
A ponto de esquecer que sou gente,
Esquecer de política, de física, de matemática,
Matemática só é bom pra contar os ovos do galinheiro,
A física e a química que quero é só pra lavar o terreiro,
Com água, sabão de pedra e um pouquinho até de perfume,
Quero esquecer de lanterna, que vou trocar por vaga-lume
E se um dia eu lembrar da cidade eu faço de conta que nem lembrei,
E continuo mascando meu fumo, plantando meu milho e fubá,
Rezando e dobrando o juêi, e fazer a minha oração.
Mas minha reza, minha reza não é pra pedir proteção,
Eu faço é outra oração,
Minha oração é de pena,
De pena de mim que demorei,
Demorei pra poder entender
Que a vida é uma e não três,
E é lá no profundo do campo,
Que a gente desfaz o quebrando,
Que um dia a cidade nos fez.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Cria de um sabiá.
Cria de um sabiá.
W.Faria
Se um dia eu começar a avoar,
Não venha dizer que é surpresa,
De longe dá pra me ouvir piar,
Cantar a cor da natureza.
Se um dia eu teimar em pousar,
No varal da dona Tereza,
Ela vai querer me arrebentar,
E vai chorar de tristeza.
Varal nenhum há de aguentar
Tanto peso que carrego,
É um peso mesmo medonho,
De tanto sonho que rego.
No colo da minha mãe
Me lembro de ouvir falar,
De ter nascido um menino,
Que podia até avoar.
Mas não lembro de ter visto
Um diazinho sequer minha mãe dizer,
Que ia me levar pra um galho,
Pra eu aprender a descer.
Cresci mesmo meio sem jeito,
Com umas roupas de dar dó,
Menino brincava de carro,
De corda, peão e cipó,
E eu gostava quando um raio
Caia e levantava pó.
Minha mãe e pai não entendiam
Falavam :
"Minino pó pará,
ocê não é fio do vento,
pra querer só avuá.
Trate logo de se assentá
E ficá inguá todo mundo,
Que que o povo vai dizê,
Quando a notícia corrê,
Dizendo que fio meu,
Sartô do coqueiro maió,
Se arrodô, girô caiu,
Se estabefô no mei fiu,
Ahh minino, tenha dó."
Hoje eu posso entender,
Que não adianta correr,
Quando a gente nasce com asa,
Não dá pra tentar desnascer.
Tem muita pedra aqui em baixo,
Tem pouca cor, é o que acho,
Tem muita usina e cimento,
Tem pouco bitu e jumento,
Tem muita mentira falada,
Tem pouca verdade inventada,
Tem filho de seu doutor,
Que tem filho e não registrou,
Muita farsa, geringonça,
Pouco rio, riacho e onça,
Muito santo e pouco milagre,
Muito vinho e aí sim, muito vinagre.
Meu lugar não é aqui,
Soube desde que nasci,
Nunca gostei de andar,
Pulava pra economizar passo,
Crescia pra inventar espaço,
E agora que me entendo,
Sei que o que digo é remendo,
De uma verdade sem graça.
A cidade, a usina e a pracinha,
Um dia vão se acabar
E eu que não fico esperando
Tudo desmoronar,
Já que nasci cantando,
Hoje em dia ando treinando,
Pra poder me disparar,
Vou rasgar o céu bem cedo,
Quando ainda é alaranjado,
Vou ficar quieto em segredo,
Escondido atras da nuvem,
Quando ouvir o sino bento,
Vou saber que é relento,
E que já posso pousar,
Assim, quem sabe o povo enxerga
Que não sou filho da terra,
Eu sou filho é do ar,
Minha mãe só me criou,
Porque ficou sem jeito,
De dizer que com respeito,
Ela criava um sabiá.
Viver versando
Viver versando
Wesley Faria
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando,
A vida é mais bonita quando o dia vem chegando,
A gente se ajeita na cama, apaga o lampião de gás,
e vai logo pra janela celebrar o que o dia traz,
Um cheirinho de café, quando a gente escuita o bule,
Corre logo pra cozinha pra acordar mais depressinha.
Um rádio toca baixinho, um som de seresta e prosa,
Um cheirinho de goiaba misturado com flor de rosa,
O galo canta sem graça, o beija-flor já vem chegando,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
Uma velha bem velinha na beirada da janela,
Faz a prece e bota a santinha do ladinho de uma vela,
A broa já ta no fogo, com cheirinho de canela,
E os menino esperando lá fora a condução levar pra escola,
Uns com os olhinhos fechados, outros não dão muita bola,
Um corre apressadinho, acho que perdeu a hora.
A enchada com o sorriso na cara, esperando ser empunhada,
E o lavrador de cara já lavada caminha pra dentro da terra,
Que espera ser lavrada.
O café vai se acabando, a fivela se apertando,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
Ali perto um riacho, uma bica e um girassol,
A mocinha corre logo pra estender o seu varal,
Um cacheiro vem fumando, um matuto reclamando,
Cancioneiro se cansando, os cansados já sonhando,
Sonhadores se levantam e os de pé nem se amedrontam,
O riachinho lava a cintura, as águas levam a espuma,
O gado lá longe espia, bem-te-vi canta, gato mia,
Uma cena radiante, faz a gente ir mudando,
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando.
A vida no interior é que é boa, tem mais serra, mais lagoa,
Mais poesia, mais tempo a toa, mais toada, mais trovão,
Tem mais chuva, mais garoa, tem viola, tem terreiro,
Tem trabalho o ano inteiro.
E no final quando o dia acaba, vem passando um boiadeiro,
Vem guiando sua boiada,
Os menino correndo atrás, passarada em revoada,
E o boiadeiro com berrante vai gritando sua chegada.
Meu trabalho já ta feito, já registrei toda cena,
O sol vai cochilando, caindo por trás do morro,
E eu já vou caminhando, vou pra outro povoado,
Dar poesia, dar socorro.
Vou tocando violão, um acorde ou dois no máximo,
Erro toda hora o tom, mas sei que não erro a mão,
Porque toco, canto e verso, com a voz do coração,
Simples e sem dinheiro, vou de nuvem em nuvem,
Sem paradeiro, até que um dia encontre,
Meu vozinho brincando de guerreiro,
Numa guerra branca e fofa, feita de tanto travesseiro.
De repente uma nuvem cai e vejo um velhinho levantando,
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando.
Meu vozinho bem que sabe, bem que disse e é verdadeiro,
Que um dia a gente se encontra, ganha quem ver primeiro,
Vou buscando, procurando, em cada forma de nuvem,
Eu afirmo e não duvido, meu vozinho tão lindo está,
Em cada verso que digo,
Enquanto não o reencontro, vou por ai vigiando,
Cada nuvem que vejo fico aqui debaixo inspecionando,
Se uma me dá um sorriso, sei que é ele me vigiando,
A noite caindo lenta, estrela me alumiando,
Vagalume pisca pisca, vem pelo breu salpicando,
Mariposa roda a luz e a lua assume o trono,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
A lenha estala alto, molecada vem chegando.
Sinhá dona traz café pro moço que ta capinando,
O cavalo já nem trota, passo largo, meia cela,
Risaiada pela rua, a velhinha acende as vela,
Acende uma pro anjo, uma vai na romaria,
A igreja se ilumina, é hora da sacristia,
A praça fica lotada, viola com companhia,
E a lua é lamparina pra trazer a luz do dia,
Digo adeus ao povoado, agradeço a moradia,
Vou pra estrada novamente, levando minha poesia.
Numa mão minha viola, na outra o desencanto,
Que pra o apego não me tapar a vista, enquanto estiver voando,
Mais um dia uma cidade, uma prenda sem desengano,
Ahh, eu gosto tanto, de viver assim versando.
Wesley Faria
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando,
A vida é mais bonita quando o dia vem chegando,
A gente se ajeita na cama, apaga o lampião de gás,
e vai logo pra janela celebrar o que o dia traz,
Um cheirinho de café, quando a gente escuita o bule,
Corre logo pra cozinha pra acordar mais depressinha.
Um rádio toca baixinho, um som de seresta e prosa,
Um cheirinho de goiaba misturado com flor de rosa,
O galo canta sem graça, o beija-flor já vem chegando,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
Uma velha bem velinha na beirada da janela,
Faz a prece e bota a santinha do ladinho de uma vela,
A broa já ta no fogo, com cheirinho de canela,
E os menino esperando lá fora a condução levar pra escola,
Uns com os olhinhos fechados, outros não dão muita bola,
Um corre apressadinho, acho que perdeu a hora.
A enchada com o sorriso na cara, esperando ser empunhada,
E o lavrador de cara já lavada caminha pra dentro da terra,
Que espera ser lavrada.
O café vai se acabando, a fivela se apertando,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
Ali perto um riacho, uma bica e um girassol,
A mocinha corre logo pra estender o seu varal,
Um cacheiro vem fumando, um matuto reclamando,
Cancioneiro se cansando, os cansados já sonhando,
Sonhadores se levantam e os de pé nem se amedrontam,
O riachinho lava a cintura, as águas levam a espuma,
O gado lá longe espia, bem-te-vi canta, gato mia,
Uma cena radiante, faz a gente ir mudando,
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando.
A vida no interior é que é boa, tem mais serra, mais lagoa,
Mais poesia, mais tempo a toa, mais toada, mais trovão,
Tem mais chuva, mais garoa, tem viola, tem terreiro,
Tem trabalho o ano inteiro.
E no final quando o dia acaba, vem passando um boiadeiro,
Vem guiando sua boiada,
Os menino correndo atrás, passarada em revoada,
E o boiadeiro com berrante vai gritando sua chegada.
Meu trabalho já ta feito, já registrei toda cena,
O sol vai cochilando, caindo por trás do morro,
E eu já vou caminhando, vou pra outro povoado,
Dar poesia, dar socorro.
Vou tocando violão, um acorde ou dois no máximo,
Erro toda hora o tom, mas sei que não erro a mão,
Porque toco, canto e verso, com a voz do coração,
Simples e sem dinheiro, vou de nuvem em nuvem,
Sem paradeiro, até que um dia encontre,
Meu vozinho brincando de guerreiro,
Numa guerra branca e fofa, feita de tanto travesseiro.
De repente uma nuvem cai e vejo um velhinho levantando,
Ahh, eu gosto tanto de viver assim versando.
Meu vozinho bem que sabe, bem que disse e é verdadeiro,
Que um dia a gente se encontra, ganha quem ver primeiro,
Vou buscando, procurando, em cada forma de nuvem,
Eu afirmo e não duvido, meu vozinho tão lindo está,
Em cada verso que digo,
Enquanto não o reencontro, vou por ai vigiando,
Cada nuvem que vejo fico aqui debaixo inspecionando,
Se uma me dá um sorriso, sei que é ele me vigiando,
A noite caindo lenta, estrela me alumiando,
Vagalume pisca pisca, vem pelo breu salpicando,
Mariposa roda a luz e a lua assume o trono,
Ahh eu gosto tanto de viver assim versando.
A lenha estala alto, molecada vem chegando.
Sinhá dona traz café pro moço que ta capinando,
O cavalo já nem trota, passo largo, meia cela,
Risaiada pela rua, a velhinha acende as vela,
Acende uma pro anjo, uma vai na romaria,
A igreja se ilumina, é hora da sacristia,
A praça fica lotada, viola com companhia,
E a lua é lamparina pra trazer a luz do dia,
Digo adeus ao povoado, agradeço a moradia,
Vou pra estrada novamente, levando minha poesia.
Numa mão minha viola, na outra o desencanto,
Que pra o apego não me tapar a vista, enquanto estiver voando,
Mais um dia uma cidade, uma prenda sem desengano,
Ahh, eu gosto tanto, de viver assim versando.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Passarinho
Passarinho
W.Faria
Quem conhece mesmo a vida,
Trate logo de dizer,
Quem sabe de margarida,
De paixão, de amanhecer,
Quem sabe de rio gelado,
Que faz a pele esfriar,
Conhece um sabiá no galho
E uma muda de Ingá.
Quem nunca chorou de saudade,
Vendo o sol morrer de tarde,
Quem nunca quis que os dias,
Não nos dessem mais idade,
E um dia a gente olha,
Vê da janela lá fora,
Um mundo novo a esperar.
A gente se aquieta um pouquinho,
Percebe que nosso ninho
É mesmo nesse lugar,
Quando o amor canta de leve,
Nos fazendo adormecer,
A gente percebe fácil,
Que faz bem amadurecer.
Bom mesmo é plantar semente,
Pra o mundo inteiro colher,
Deixar um broto da gente,
E cultivar pra crescer,
Tem dias que dá saudade,
Quando a flor completa idade,
Mas sabemos que um broto,
Precisa de chuva pra viver.
E quem conhece mesmo a vida,
Trate logo de dizer,
Não há amor de verdade,
Até um filho nascer,
Depois disso colo é ninho,
Braço é asa e pé é caminho,
E até poder voar sozinho,
Todo filho é passarinho.
W.Faria
Quem conhece mesmo a vida,
Trate logo de dizer,
Quem sabe de margarida,
De paixão, de amanhecer,
Quem sabe de rio gelado,
Que faz a pele esfriar,
Conhece um sabiá no galho
E uma muda de Ingá.
Quem nunca chorou de saudade,
Vendo o sol morrer de tarde,
Quem nunca quis que os dias,
Não nos dessem mais idade,
E um dia a gente olha,
Vê da janela lá fora,
Um mundo novo a esperar.
A gente se aquieta um pouquinho,
Percebe que nosso ninho
É mesmo nesse lugar,
Quando o amor canta de leve,
Nos fazendo adormecer,
A gente percebe fácil,
Que faz bem amadurecer.
Bom mesmo é plantar semente,
Pra o mundo inteiro colher,
Deixar um broto da gente,
E cultivar pra crescer,
Tem dias que dá saudade,
Quando a flor completa idade,
Mas sabemos que um broto,
Precisa de chuva pra viver.
E quem conhece mesmo a vida,
Trate logo de dizer,
Não há amor de verdade,
Até um filho nascer,
Depois disso colo é ninho,
Braço é asa e pé é caminho,
E até poder voar sozinho,
Todo filho é passarinho.
Vinte anos de solidão
Vinte anos de solidão
W.Faria
No sertão cabra macho também pia
quando a seca devora a plantação
quando q chuva não faz a companhia
é jiboia caçando de facão
feito ave maria mal rezada
todo o dia se arrasta pelo chão
a poeira se esconde entre os dentes
é a peleja do cego em contramão
Até o padre suspende a igreja
essa noite jesus não vem rezar
foi-se embora de sede e de fome
trabalhando em um canavial
e os olhos de tantos desprovidos
fome é grande mas é menor que o sonho
que se esconde atras de cada verso
do menino e do velho risonho.
No sertão cabra macho também pia
quando vê a mãe preta falecer
é o momento que tanta valentia
perde feio pra o entristecer.
Tange o carro de boi na rodovia
na poeira do sonho que ficou
deixa a casa de palha abandonada
segue em rumo da estrada que encontrou
o retrato da mãe recém matada
pela peste que come o sertão
leva junto do peito bem guardado
no tão amarelado coração
vai tentar outra vida de formiga
depois é mais vinte anos de solidão.
Eu do Mato
Eu do Mato
W.Faria
Gosto mesmo é de comer amora, goiaba e comer jamelão.
Rir um riso frouxo com os lábios roxos em profusão.
Gosto de andar descalço, leve, solto feito bicho, feito flor,
feito o morro que ninguém alcança.
Gosto é de nadar no rio, sentir o friozinho gelar a nuca,
caçar rolinha, roçar a relva e me vestir de flores e cipós.
Gosto do gosto de mel, não o enlatado, esse não me agrada não,
gosto do mel natural, aquele que é difícil de pegar e dá mais prazer em comer.
Gosto do cheiro do vale,
do canto do sanhaço, gosto de celebrar a vida ao léo, sob as estrelas
Sobre o topo brilhante do morro ao longe.
Por fim, gosto de ser a melodia do vento e sussurrar meu nome por onde passo,
assim, deixo um pedaço de mim por aí, pelo mundo e me torno ser sem dimensão,
difuso no ar, caído na grama e cheirando a jasmim, sou mais feliz assim.
domingo, 24 de novembro de 2013
Negro-deus
Negro-deus.
W.Faria
Mesmo que quedem os astros, mesmo que desatem os nós,
mesmo que o inferno se gele, ainda estaremos a sós.
Mesmo em meio ao nevoeiro de gente, com gritos e faces latentes,
mesmo que os anjos caminhem pela fresta podre do mundo,
migrando norte-sul, num ir e vir vagabundo.
Mesmo que a dor das aldeias incendiadas pelo fogo branco,
Alcance as veredas do céu, criando nelas um ambiente brando,
e as cores dos cocares se tornem pálidos quadros na parede da vida.
Ainda assim, torpe, sujo, inerte e pálido,
Surgirão do rastro de pó vermelho,
Como um relâmpago rasgando o céu,
Um homem mouro, vermelho-douro,
Moreno nobre, um negro deus que salva réus.
Erguerá em voz altiva que ainda tem e sempre terá,
A flecha decisiva que findará o conflito das cores,
A flecha que voa qual bala que brilha,
A mão do arcanjo envolta em neblina,
O passo da viúva ao lado do cortejo
Rumo ao fim, rumo ao último beijo.
Lançará mão do teu eu mais íntimo e será o eu-coletivo,
Vivendo do som dos tambores, açoites de um tempo que passou,
Negro-deus, pai de poucos, voz de muitos, deus dos loucos,
Dirá com certeza na voz que já se quedaram os astros,
Se desataram os nós, e mesmo assim ainda estamos a sós.
-
Um poema para quem vive crendo que o salvador virá, ele já veio e já foi, ele vem a cada dia, ele vai a cada minuto, como um cacheiro viajante, um aviãozinho do morro, que leva pra cima o pedido de socorro. Um poema para quem crê que somos deuses, cada um de nós com seus discípulos e missões e principalmente, calvários.
A Procissão
A Procissão
W.Faria
Lá, encravada na palma da mão,
Entalhando a alma no chão,
vejo o vento tocar o rosto,
da velha na procissão
Lá, rugas e suores,
penas e cantares,
fitas e velas,
Pés no chão e seus pesares.
Calçando os pés de lama,
pintando um mundo sem telas.
Vê,
vê como se move de maneira líquida,
vê como acompanha o caminhar,
como contento por um alguidar,
Rasgando o mundo a cada passo que dá.
A procissão a serpentear no oco do chão.
Vê o olho que lacrimeja?
guardando a velha lágrima de estimação?
O caminho, a pausa e a ladainha,
é a jornada seca encravada na palma da tua mão,
tem medo não, tem medo não.
Calma e se Acalma
Calma e se Acalma
w.faria
Feito canto de vó na varanda,
Feito de doce e mel de juá,
Feito só pra você não ter pressa,
Fiz de tudo pra te acalmar
Emoção não tem hora ao certo,
Chega sempre antes do luar,
w.faria
Feito canto de vó na varanda,
Feito de doce e mel de juá,
Feito só pra você não ter pressa,
Fiz de tudo pra te acalmar
Emoção não tem hora ao certo,
Chega sempre antes do luar,
Feito a ave que voa sozinha,
Procurando ninho pra pousar
Dá tristeza em ver esse tom,
colorir de vermelho o marrom,
essa voz tão de leve se cala,
Imitando o som do trovão
Queira sempre andar de mansinho
Pois combina contigo esse som,
Do seu passo bem devagarinho
Feito vó que te canta canção
Calma e se acalma,
Tudo é lindo, preste atenção,
Calma e se acalma
Ouça sempre essa minha canção.
Procurando ninho pra pousar
Dá tristeza em ver esse tom,
colorir de vermelho o marrom,
essa voz tão de leve se cala,
Imitando o som do trovão
Queira sempre andar de mansinho
Pois combina contigo esse som,
Do seu passo bem devagarinho
Feito vó que te canta canção
Calma e se acalma,
Tudo é lindo, preste atenção,
Calma e se acalma
Ouça sempre essa minha canção.
Nascemos Prontos
Nascemos prontos.
Wesley Faria
Nascemos prontos, o mundo é que se forma ao nosso redor. É como se tudo tomasse forma ou se realocasse em seu verdadeiro lugar, as meias se escondem debaixo da cama, os botões se recusam a fechar as camisas sociais já amareladas pelo tempo e pelas muitas idas à maquina de lavar. Os olhos finalmente secam suas lágrimas e as mãos finalmente lapidam aquilo que sonham as mentes.
A estrada se tornou longa quando dei o primeiro passo, mas depois de colocada a primeira peça não se pode voltar atrás, os passos que seguiram surgiram feito gotas em inicio de tempestade, molham primeiro o vidro da janela, escorrem até o jardim logo abaixo do vidro e esta mesma chuva, que tanto assusta, se transforma em vida para flores e para a terra.
A vida se encaminha de colocar cada coisa em seu lugar, cada sapato no pé correto e cada pé no caminho certo, mas as vezes amigo, as vezes demora pra se encontrar a direção, enquanto isso não acontece é melhor se prevenir, ter certeza de que está cantando no tom certo, mas antes de ter esta certeza é cabível o erro, é cabível o medo, aliás, o medo sempre é cabível em qualquer situação, é graças ao medo que aprendemos a nos defender.
Quando o primeiro brinquedo caiu do berço foi o medo quem nos impediu de nos jogarmos no chão e se nos jogamos foi o medo quem nos mostrou que cair faz parte da vida, mas dói amigo e dói muito.
As coisas se completam, devagar a estrada desenha o horizonte e não o contrário, não é o horizonte quem desenha a paisagem, é a paisagem quem cria um horizonte, o horizonte nasce da mistura do que temos com oque queremos ver.
O cantarolar da mãe é quem ensina ao filho que a paz está dentro de nós, não sendo preciso gritar por ela, correr por ela, matar por ela, é preciso apenas viver por ela, a paz interior é o hino que toca baixinho quando o corpo perece.
Não existe moldura na vida, a vida é a sua própria moldura, e nós? Nós somos a tinta do quadro. Essa tinta tem o tom que desejamos, aliás, tem o tom que decidimos que ela terá, tem as peças que damos à ela, as manhãs constroem as paisagens de acordo com nossos passos, sendo nossa a responsabilidade de entregar a peça certa.
Somos nós quem giramos a terra e não o contrário. Experimente o chão, ele é mais próximo que você poderá chegar da força, absorve cada lágrimas que cai e ainda assim nos sustenta. O mundo é pequeno demais para quem tem o sol dentro do peito, deixe o sol iluminar quem passa e lembre-se de que cada luz que emite é uma chama que o consome e em breve toda luz acaba. É hora de caminhar em direção a nós e não ao horizonte, afinal o horizonte é construído a cada passo e nós,
Nós nascemos prontos, o mundo é que se forma ao nosso redor.
A chama que consome é a luz que vem de dentro,no final, dá no mesmo, tudo é vida.
sábado, 23 de novembro de 2013
Reza de retirante
Reza de retirante
W.Faria
De toda a vida em diante,
Do pôr do sol e luar,
Da reza do retirante,
Da mancha de óleo no mar,
Da cruz da corôa de espinho,
A minha eu que vou carregar,
Eu movo as pás do moinho,
Eu planto o que me saciar,
Eu rasgo o ventre da terra,
Derramo a vida por lá,
Me colho as vezes maduro,
As vezes sem madurar.
Os movimentos dos braços
Cavando o bruto do chão,
É o movimento que faço,
Plantando o fruto no vão.
A vida só pode dar,
Aquilo que se plantar.
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